A um jovem Poeta

Você, que ainda é puro e sabe o quão fundamental é ela para a sua aventura de poeta, fica irado contra os outros, ao sentir que a sua presente agressividade é fruto de um complexo de culpa. É você, não os outros, quem está em crise. E se os outros também o estiverem, razão a mais para você afirmar-se em sua luta, que é a luta de todo poeta, para ajudá-lo a sair dela. Pois você não auxiliará ninguém, muito menos a si mesmo, se seu coração não estiver limpo de ressentimento e sua luta contra "o outro" não for constante. "O outro", não preciso dizer, é você próprio. É o súcubo que, todos, temos dentro de nós; o ser calhorda, comprável com a moeda da mentira e da lisonja, que de repente adota a gratuidade como norma, por isso que a paixão é mais insaciável que o infinito aberto em cima. E a paixão não se vende nunca.
Cada poeta é uma coisa em si, mas todos os poetas devem o mesmo à Poesia: a própria vida. Há, o poeta, que queimar-se e causar sempre mal-estar aos que não se queimam. Há que ser o grande ferido, o grande inconformado, o grande pródigo. Há que viver em pranto por dentro e por fora, de alegria ou de sofrimento, e nunca dizer "não" a ninguém, nem mesmo àqueles que optaram pelo não chorar.
Você meu caro Jovem Poeta, que foi dotado de talento e de beleza, não tem o direito de negar-se ao seu martírio. Só ele pode tornar a sua poesia emocionante. Só ele pode salvá-lo do formalismo em que caem os que se recusam a estar sempre despertos. É preciso que todos vejam a luz que seu coração transverbera, mesmo coberto por bons panos. Não negue o seu olhar de poeta aos homens que precisam dele, mesmo tendo o pudor de confessá-lo. Abra a sua camisa e saia para o grande encontro.
Vinicius de Moraes

sábado, 20 de março de 2010

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 44º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS


“O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra"
[Domingo,16 de Maio de 2010]
Queridos irmãos e irmãs!
O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra” – insere-se perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.
A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: «Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados?» (Rm 10,11.13-15).
Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma «história nova», porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.
Contudo, a divulgação dos “multimídia” e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.
Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».
Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que «Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros» [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].
Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20).
Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma “diaconia da cultura” no atual «continente digital». Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?
O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.
A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios atuais de comunicação.
Com estes votos, invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afeto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Prêmios de Comunicação Social da CNBB

Uma Mídia Democrática: não deixa de ser esta a discussão na maioria dos Cursos de Comunicação. Nos tempos da Ditadura Militar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) motivou a atividade cinematográfica, por meio do prêmio de Comunicação Social Margarida de Prata criado no ano de 1967. Mesmo com toda repressão, o Cinema foi uma importante arma na denúncia dos abusos de uma política autoritária. Preocupados em promover uma produção de qualidade tecnica e estética com valores cidadães  e cristães a organização criou outras premiações: Microfone de Prata para o Rádio, em 1989; Dom Helder Câmara de Imprensa, 2002; e Clara de Assis para a Televisão, 2005. De 1º de março a 31 de maio estarão abertas as inscrições para concorrer a edição deste ano. Os interessados podem conferir os regulamentos e fichas de inscrição no site da CNBB. A entrega dos prêmios será dia 23 de julho de 2010, às 20 horas, em Aparecida–SP, durante o Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação.
Não perca esta oportunidade!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

“O Amor Segundo B. Schianberg”


Tranque um ator e uma videoartista num apartamento, ligue algumas câmeras e deixe o tempo passar. Dito de forma muito simplificada, esse é o ponto de partida de “O Amor Segundo B. Schianberg”, o mais arriscado – e experimental – projeto na bem-sucedida carreira do cineasta Beto Brant.


Depois de três filmes policiais, dois deles excelentes (“Os Matadores”, em 1997, e “O Invasor”, em 2001), Brant consolida com “O Amor Segundo B. Schianberg” uma guinada surpreendente em sua carreira.


Ao adaptar, em 2005, “Crime Delicado”, a novela de Sergio Sant´Anna sobre a paixão de um crítico por uma mulher sem a perna, Brant deu a deixa que seu cinema ambicionava ir além da crítica social e política. A impressão se confirmou na sua obra seguinte, “Cão sem Dono”, de 2007, extraído de um romance de Daniel Galera, no qual o foco vem a ser o relacionamento improvável entre um tradutor deprimido e uma modelo exuberante.


“O Amor Segundo B. Schianberg” parece um desdobramento de “Cão sem Dono”. Se no filme anterior a ação se passava em diferentes ambientes de Porto Alegre, neste agora concentra-se, basicamente, entre quatro paredes. E mais, Brant filma o seu casal de forma pouco ortodoxa, com som aberto para todos os ruídos e ângulos improváveis.


O ator Felix (vivido por Gustavo Machado) e a videoartista Gala (Marina Previato) são filmados como se estivessem participando de um reality show. Somos convidados a compartilhar da intimidade do casal, que assistimos comendo, namorando e trabalhando. Também acompanhamos, sem ouvir direito, as conversas da dupla sobre a própria relação, sobre amor, sobre arte, enquanto Gala faz um vídeo, que será exibido na conclusão do filme.


O título do filme, “O Amor Segundo B. Schianberg”, já diz bastante das intenções metalinguísticas de Brant. Benjamin Schianberg é um personagem do romance “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios”, de Marçal Aquino. Apresentado como “filósofo do amor”, é o autor de uma obra a que Marçal recorre com freqüência na construção da narrativa, o livro de auto-ajuda “O que vemos no mundo”.


“O Amor Segundo B. Schianberg" constrói-se, assim, como um filme dentro de um filme discutindo o tempo toda a própria ideia de representação. Trata-se, evidentemente, de uma proposta para um pequeno público, interessado em pensar o cinema, as suas possibilidades e os seus limites.

Fonte: cinemauol.com.br

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quaresma: Tempo de deserto para ouvir o Senhor que fala.

"Eis o tempo favorável o dia da salvação" (2 Cor 6,2)

Após a folia momesca, que incrível que pareça é prolongada para além de seus dias, a Igreja católica vive um momento litúrgico de preparação para a maior festa de seu calendário: a Páscoa.
Na quaresma tempo dedicado a conversão, (retorno) ao projeto divino, fazemos a experiência de homens e mulheres que anseiam pela vinda do reino, já anunciado por Cristo: "Cumpriu-se o tempo, e o reino de Deus está proximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho." (Mc 1, 15).

Em vista desse momento o Papa Bento XVI afirma o papel do Corpo Místico de Cristo, que é a igreja ressaltando a importância de uma "revisão sincera da nossa vida à luz dos ensinamentos evangélicos." É momento de refazer a caminhada percebendo as práticas ambíguas do nosso cotidiano que antes de mostrar a face do amor de Deus, gratuito aos homens, revela o seu oposto.

Por isso o Episcopado brasileiro escolheu este tempo para vivenciar os valores do reino através da Campanha da Fraternidade. Embora, versando a cada ano sobre um tema e duramente criticada por não ter muita repercussão fora da quaresma,a campanha da fraternidade na sua dimensão mais profunda está sempre em relação com a vida. Portanto, mesmo que se faça reflexões específicas e aparentemente estanques, a Campanha trabalha a dimensão profética que desmonta estruturas a fim de construir relações mais justas.

Este ano a campanha da Fraternidade aborda o problema de uma economia excludente que não gera vida, portanto, vai contra o projeto de Jesus para a humanidade e toda a sua criação. "Na Bíblia, os pobres e todos os necessitados estão no centro da justiça que Deus exige das relações humanas e econômicas. A pobreza é produto de decisões e de políticas humanas. Reverter a situações de extrema necessidade de um elevado número de cidadãos e cidadãs brasileiros é obrigação inadiável de uma de uma sociedade como a nossa que aspira a ocupar lugar entre os países mais desenvolvidos do mundo."

Façamos então essa caminhada rumo a páscoa de jesus que se dá todo dia por nós. ouvindo sua Palavra que nos impulsiona a oração e a sair de nós mesmos pela prática saudável de um jejum não alienado pelas estruturas e caridade fraterna.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Documentos sobre Pio XII em breve na Internet

Brevemente estarão na Internet, com acesso livre, mais de 8 mil páginas dos “Atos e documentos da Santa Sé relativos à II Guerra Mundial”. A obra, de onze volumes, publicada pela Livraria Editora Vaticana, foi redigida pelos padres jesuítas Pierre Blet, Angelo Martini, Robert A. Graham e Burkhart Schneider.

De acordo com o site da Rádio Vaticano, o material foi publicado por ordem de Paulo VI e traz uma seleção ampla e detalhada dos documentos dos arquivos secretos do Vaticano sobre a II Guerra e o pontificado de Pio XII naqueles anos.

A iniciativa de disponibilizá-lo na Internet tem o apoio da Santa Sé, que aderiu ao pedido da Fundação “Faça o caminho” (Pave the Way Foundation-Ptwf), uma organização judaico-americana. Foi digitalizada uma antologia de 5.125 documentos pertencentes aos Arquivos Secretos do Vaticano e datados entre março de 1939 e maio de 1945. A Fundação PTW é uma organização concebida para remover os obstáculos entre as religiões, promover a colaboração e colocar fim ao abuso da religião para fins políticos.

Em entrevista à Zenit, o fundador e presidente Gary Krupp, diz que “ao desenvolver sua missão, constatou que o papado de Pio XII, na época da II Guerra, foi motivo de contestação. Este fato – explica – tem impacto sobre mais de um bilhão de pessoas. A publicação on-line de toda este material quer ser um serviço à verdade histórica”. (CNBB com Rádio Vaticano)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

De Vinicius para seus amigos



Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!